Polícia judiciária militar investiga morte de cadete
Jornal Público, 16 de Fevereiro de 2010

A Polícia Judiciária (PJ) Militar está a investigar as circunstâncias em que ocorreu, na passada sexta-feira, a morte de um cadete da Academia Militar, que terá sido baleado "acidentalmente" por um colega quando procediam à limpeza das armas que tinham utilizado durante um exercício de treino.
Pedro Joel Delgado, de 21 anos, acabara de chegar às instalações do Exército na Amadora, depois de ter passado uma semana a treinar em Mafra. O jovem cadete e os seus companheiros estavam a limpar as pistolas Glock - as novas armas das forças e serviços de segurança - com as quais tinham feito treinos de fogo real. Segundo explicou ao PÚBLICO o porta-voz do Exército, tenente-coronel Hélder Perdigão, "as armas foram verificadas" ainda nas instalações de Mafra, antes de os cadetes regressarem à Academia Militar, pelo que "não deveriam estar carregadas".
Contudo, a limpeza das pistolas só aconteceu no interior das instalações da Amadora "devido ao terrível mau tempo que se fazia sentir". Terá sido nesta altura que um companheiro de Pedro, que frequentava o 3.º ano do Curso de Oficiais da GNR da Academia Militar, disparou "acidentalmente", ferindo o cadete no abdómen. O INEM foi chamado ao local e ainda tentou reanimar o jovem, mas sem sucesso.
O porta-voz do Exército explicou que o inquérito aberto pela PJ Militar visa apurar as causas em que aconteceu o incidente e descobrir o que falhou na altura de verificar se a câmara da pistola ainda tinha munições. "A ocorrência é estranha e anormal, mas tudo indica que seja acidental. Ainda assim, é importante que a situação seja averiguada por uma instituição independente e supra Exército como é a Polícia Judiciária Militar."
Questionado sobre se são recorrentes os acidentes com armas na Academia Militar, Hélder Perdigão assegurou que "há mais de 50 anos que não havia um incidente que conduzisse à morte de um cadete".
Romana Borja-Santos











